DOUGLAS REIS


 

 séRie Lápis-Lazúli

                  realidade reclusa

O apartamento era oblíquo,

Denso, mas silencioso;

Lima na estante, Dali

Em moldura envelhecida.

Em cisnes de marfim triste,

Doces donets são servidos.

Da janela a avenida,

Como um mar contraditório

(Que cismamos em não ver).

A noite uma champanha,

Suave veneno que impregna.

Enxertos desertos pulsam

Do velho álbum de lembranças

(Tem primo a morrer de fome)…,

Mas enfim!, que noite rígida

Para os eternos pedestres,

Os sem-sola das calçadas.

Da sala a música cresce

– Salomão por Palestrina;

Abaixo da cobertura,

A mímica da atmosfera

Põe mendigos a dançar.

(E cismamos em não vê-los).



Escrito por Douglas Reis às 16h25
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