DOUGLAS REIS


 

          série Lápis-Lazúli

 

É, meu filho: vais ser homem um dia

A meu pai, Alberto Andrade Reis

                     

É, meu filho: vais ser homem um dia

E terás teus deveres sobre o lombo;

Tombarás muitas vezes, como eu tombo,

E ao caíres, verás o quanto eu sofria.

Nesta terra, onde é curta a estadia

(Porém longa a memória da qual zombo

– Meus próprios erros), mais certo seria

Ser feliz, num castelo ou num biombo.

E Deus sabe que sempre tentei isto,

Com trabalho coroado de suor,

Para que tu tivesses o melhor.

Se poucas vezes nós nos temos visto,

Saibas, ao olhares cada astro redondo:

Teus sonhos no cosmo eu estava pondo.

 



Escrito por Douglas Reis às 09h15
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série Lápis-Lazúli canto de preparaÇão

Eu me demoro a ouvir o que planejas,

Para o cumprir sem rumor na alma

– Mesmo ao inverno agüento com calma,

Sem pensar em fugir como as narcejas.

Dói, mas sinto paz quando ouço o que dizes,

Ao espírito chega o conforto:

A luz pincela o mar; do porto

Acompanho a nau, sobre a água, aos deslizes.

No ancoradouro, aguardo que o guindaste

Faça descer todo caixote;

Que a cada suprimento lote

As vãs, e a carga ora adquirida baste.

Dá-me os artigos para o meu sustento

– Pereço na auto-insuficiência!

Sem gozar de Tua assistência,

Sou como a palha magra contra o vento.

Recheia o meu tutano com a Graça,

Devolvendo o cálcio aos meus ossos.

Não há nada que eu mesmo faça;

Meus assuntos são hoje assuntos nossos.

Oponho-me ao opulento, espada em punho,

Ergo-me contra as hostes más.

Encheste a minha alma de paz

Desde oitenta e um, aos quatorze de junho.

Sei que tens desde então uma obra à espera

Para que eu a cumpra sem demora…

De Ti espero, de hora em hora,

E terei Graça, pois a alma é sincera.



Escrito por Douglas Reis às 08h34
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Oi! Aqui publicamos um soneto típico, ou seja, um soneto italiano, com dois quartetos e dois tercetos. Ele retrata o amor que o Salvador tem por todos os homens e mulheres, mesmo aqueles que são marginalizados (aliás, Ele ama especialmente a estes!). Boa leitura.


série Lápis-Lazúli JANTAR PARA JUNTAR

Depois de dias chega. Água preenche a vasilha

– Nascem dois pés de escuras cascas de poeira.

Sobre a mesa põe mosto, e alguns pães enfileira,

Quando à porta lhe chama a mulher maltrapilha.

Se outros usam seu corpo, ele a vê como filha!

Sorrindo a recebe; ela entra e se sente inteira

(No ineditismo da inteireza, ama-o). A maneira

Amável do anfitrião chama outros à partilha.

Mesmo um cão morto não chega a despertar náusea

Como o homem que entra, impregnado de mazelas;

Ele é bem-vindo. Traz consigo um cego e velas.

“Busque a oportunidade, ou, o que é melhor, cause-a.”,

Ele pensa ao ouvir cada história e atender todos.

E Deus devora à mesa os limites e engodos.

 



Escrito por Douglas Reis às 07h49
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