DOUGLAS REIS


 

                          A partir de semana que vem, estaremos postanto os poemas da série “Lápis-Lazúli” neste blog. Aguarde.


série FRESTAS PARA A GRAÇA

SOMA DE SONHOS

 

          Intermitência que retine. Dentro, a umidade tornada em frio vai cedendo. A chaleira acelerando o aconchego. Sai do chuveiro encolhida na toalha.

            Será que a roupa de amanhã estará seca?

            E a intermitência, nada de se conter!…

            Sobre a cama, a última aquisição. Um olhar retroativo alcança a infância. Alcança, pelo menos, certos sonhos infantis.

            Ela põe o pijama de menina. Para os pés, reservou o inusitado contorno de hipopótamos sorridentes.

            E assim, de pijama e pantufa, ela se vê. Rindo, boba até o êxtase.

            Agora, uma intermitência concorrente.

 



Escrito por Douglas Reis às 12h46
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série FRESTAS PARA A GRAÇA

GRADUAL

  

De certa forma, ela teve como prever a própria queda. Apenas não quisesse render-se à força da emergente convalidação.

Seu rosto duro é eletrizado por um calafrio. À sala da coordenação ela se dirige.

“– Quem disse que estamos indo para lá?”

Entram, ela sem compreender. No sofá da sala dos professores, sozinhos se assentam. A voz sai administradamente calma. Ele fala de um tempo para reflexão e ora com a menina.

Logo saindo.

Abandonada, ela pensa em Orkut, em difamação, no que fez. Talvez o que escrevera sobre ele fosse incrementadamente injusto.

Ao fim da aula, ele a encontra chorando nos ombros de outro mestre. Ela recebe a última parcela do perdão.



Escrito por Douglas Reis às 07h08
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série FRESTAS PARA A GRAÇA

RETOMADA

 

Aroma de pinho e música de casamento no DVD. Põe-se perfume, estreiam-se sapatos marrons. O quintal espelhando as roupas na ossatura do varal.

O quarto – finalmente!

O quarto. Desde que ele viera, foram dias sobre o sofá. Cada vez que tinham de pegar alguma peça de roupa, ruído … Batendo-se nos móveis?

Agora, o contorno acinzentado se evadira. Driblara ratoeiras, blitz de oficiais munidos com rodos e vassouras.

Por último, decidiram-se a caçá-lo por reconquista de honra.

O som do secador faz pensar em como ela estará quando a porta se abrir. A noite é deles. E o quarto também.



Escrito por Douglas Reis às 09h10
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série FRESTAS PARA A GRAÇA

FEITA A TORCIDA

 

Ele abaixado, torcendo o pano sobre o balde. Dois beijos pousam pouco abaixo de sua nuca. Beijos dela. Ele se ergueu fingindo não ter testemunhado o perdão liberado gestualmente. Tomando o pano torcido, seguia desconcertado.

Ia abaixar-se, terminar o banheiro. Voltou. Outro pano, outras mãos, essas cansadas. Seu beijo atingiu a nuca menor, de porcelana.

O resto coube em um abraço sem vírgulas. Desculparam-se.

E aquela noite concatenou-se em perfume. Enquanto arrumava o black-out, seu suspiro decifrava o peito. Era prece, de gratidão.



Escrito por Douglas Reis às 09h08
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FRESTAS E NÃO MAIS…

 

 “Eu acredito em pessoas de todas as nações trabalhando juntas”. Enquanto estendia as roupas, lembrei-me desta música. Pensei em todos os meus CDs, mas não. Ouvira poucas vezes a canção na casa de um amigo, sem a ter gravado. Sem dúvida, ela foi escolhida a dedo por seu intérprete: Andréa Bocelli.

Um ladrão entrou na casa aonde morava anteriormente. Entre outras coisas, ele levou todos os CDs que eu tinha na época – incluindo quatro de Bocelli. Em um deles, o tenor emprestava o vozeirão sensível a outra canção que dizia “ Se as pessoas usassem o coração/ Se abriria um horizonte melhor”.

Letras humanitárias, sonhando cooperação entre os homens. Pessoas cultas e bem-educadas acreditam numa época messiânica, na qual a boa-vontade levará o mundo a um nível superior.

A Bíblia frustra esta visão.

Do ponto de vista das Escrituras, o coração do homem é o sulfite manchado com o nanquim do pecado. Não há segurança para o homem dentro de si mesmo – apenas fora, e em Deus. Uma intervenção da Graça divina é o que trará paz e harmonia à Terra. Nada de ONGs ou tropas de paz. Sem novas propostas pedagógicas ou empreendimentos sociais. O homem não pode consertar aquilo que amaldiçoou.

Mas isto não nos impede de apreciar as pequenas demonstrações de humanidade. Afinal, o que resta de bom no homem demonstra que Deus atua nele ainda. Deus nos faz bons; do contrário, não haveria carinho e caridade, perdão e altruísmo em nós.

Essas atitudes são pistas que apontam para a Graça. Deus enviou Seu Filho para ser nosso Substituto e nos salvar. Ele fez o que não merecíamos. Isto é Graça. Ele desmoronou nosso passado, constrói nosso presente e entregará a obra de nosso futuro.

A Graça é um êxtase com traje de aperitivo. um presidente indo ao shopping de bermuda, e sem sua equipe de segurança. A Graça se espalha nos detalhes de nosso mundo, adquirindo a configuração das bênçãos mais miúdas. Para entende-la, temos de estar atentos, uma vez que é nas pequenas coisas do dia a dia que a porta para a eternidade se abre, e podemos, como crianças curiosas, espiar para ver algo além. Espiar as frestas para a Graça…



Escrito por Douglas Reis às 19h41
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